"Há trinta anos, a Revolução Sexual atingia o seu momento de maior esplendor. Frases como ‘’ É proibido proibir", "Faça amor, não faça a guerra" e "Quanto mais eu faço amor, mais penso na revolução" eram as palavras de ordem daqueles tempos rebeldes em que tudo era consentido: do incesto à pedofilia, do turismo sexual ao ao estupro. Hoje, porém, passada a euforia, olhamos em volta e nos damos conta de que a algazarra sexual das últimas décadas não nos trouxe o bem-estar. Ao contrário: vigoram atualmente um desencanto com o sexo mecânico e uma aversão a "perversões" há pouco toleradas e freqüentemente incentivadas pela mídia e pela opinião pública. Atualmente, o individualismo político, utópico e comunitário de 68 cedeu lugar a um individualismo apático e narcisista. Mas que isso, prevalece agora a urgência do resgate de uma "ordem moral", discurso que há trintaa naos era exclusivo da direita reacionária e que hoje está na pauta dos setores mais liberais da sociedade. Estaríamos de fato condenados a optar pela permissividade total e o moralismo rígido? Haveria alguma outra alternativa? Tentando encarar de frente esta questão, o jornalista, ensaísta e escritor, Jean-Claude Guillebaud nos apresenta esta Tirania do Prazer, um livro no qual pretende "colocar claramente e sem subterfúgios, a questão da moral sexual – ou seja, do lugar do proibido – em uma sociedaade moderna". Conjugando história, psicanálise, antropologia, teologia, filosofia política, demografia, criminologia, entre outras disciplinas, o autor traça um quadro amplo da sexualidade humana, "buscando esclarecer as milhares de mentiras e falhas que são quase sempre divulgadas quando se trata de sexo".(pág 343)